Desde pequeno que viajo. A minha primeira viagem teve início à 27 anos. Após 9 meses de gravidez, que se cumpriram já em pleno verão quente de 81, o meu meio de transporte, o belo ventre da minha progenitora, ressentia-se. Tinha atingido a tara máxima permitida e estava prestes a conhecer as estações fora daquele ambiente de protecção total.
Foi durante essa jornada que ganhei alguns dos vícios que hoje me acompanham. O gosto pelo croassant misto com manteiga, os setubalenses, o pastel de nata seguido de perto de uma bica quentinha, a bem dizer da doçaria em geral, do contacto próximo com a água, o carinho pela minha mãe que, para além desses nove meses de viagem fatigantes e, com alguns acidentes de percurso, ainda hoje passados 27 anos luta comigo nesta viagem alucinante. O vício primordial que me deixa a ressacar constantemente e a pedir mais e mais é, querer sair e viajar sempre. Pena que a viagem maior que faço não me proporcionar alcançar as aventuras que necessito.
Foi cedo e, está visto, desde tenra idade que me apaixonei pela oportunidade única que é conhecer para além do que conhecemos. Sempre vivi em andares altos, hoje em dia não, mas mesmo nas alturas a vista que até era deslumbrante não me mostrou mais do que o alcance da minha visão periférica estaria habilitada. O facto de saber que a Terra é redonda, aproximadamente redonda, para facilitar os cálculos matemáticos e a explicação de modelos teóricos, e que a linha do horizonte não significa a proximidadde do fim do mundo fez-me crescer a curiosidade, a vontade, e o objectivo de vida que é descobrir o princípio desse mundo, dessa linha que a minha visão percepciona e do que existe para além desse precipício.
Com o blog, "O Cicloturista Alentejano", pretendo dar a conhecer a todos os meus amigos, alguns dos quais partilharam aventuras, mas sobretudo aos apaixonados pelo acto de deixar a casa para trás e andar com parte do seu recheio às costas, algumas das minhas aventuras, mesmo aquelas em que não era eu ainda quem decidia o rumo a tomar. Vou descrever algumas dessas peripécias que moldaram cada viagem e que a tornaram única e, assinalar de que forma as vivências durante todos esses momentos tornearam e esculpiram a pessoa que sou hoje. Vou também aproveitar o espaço para falar de projectos futuros, deixar testemunho ou link para projectos de outros viajantes (mais viajantes do que eu certamente), informações que considere úteis e, acima de tudo, oportunidade para que me deixem os vossos comentários.
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